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Selic cai, mas juros das operações de crédito devem subir ainda mais, prevê Associação Brasileira de Bancos

A taxa média de juros das operações referenciais de crédito do sistema financeiro, que fechou o mês de julho em 39,7% segundo o Banco Central, deve subir ainda mais. Em junho, o índice estava em 39,5%. A previsão é da Associação Brasileira de Bancos (ABBC). "Nossa expectativa é que os juros atinjam a casa dos 40% até dezembro, por conta dos impactos da piora dos níveis de inadimplência e face às novas regras que elevaram os fatores de ponderação de risco de crédito, onerando a alavancagem das instituições financeiras", afirmou o presidente da ABBC, Renato Oliva.

Na última quarta-feira (31/08), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) baixou a taxa Selic de 12,5% para 12%, depois de cinco aumentos consecutivos, desde o início do governo de Dilma Rousseff. Mas para a Associação Brasileira de Bancos, não é hora de comemorar. "Infelizmente a queda de juros não está associada à melhoria da percepção dos indicadores de inflação. Minha impressão é que houve múltiplos fatores, associados à grave piora do quadro global da crise e a pressões da conjuntura interna. Desta forma, ficamos um pouco mais preocupados com os indicadores de risco de crédito. Pode-se imaginar, neste cenário, que o custo do risco das operações poderá aumentar, anulando qualquer efeito positivo que a queda de juros possa trazer".

Por isso, a precaução dos bancos deve continuar, avalia Renato Oliva. "A cautela dos bancos decorre de uma série de fatores. Desde o aumento das taxas de juros básica, que oneram a economia do país como um todo, passando pela preocupação com o controle do nível inflacionário, crise mundial, que possa afetar o fluxo de recursos internacional, e até os aspectos de maior implicação com nossa economia interna: aumento da inadimplência, maior endividamento das famílias, aumento dos custos operacionais. A maior cautela pode ser percebida pelo aumento dos crivos na concessão de crédito ("cut off") e pela escolha estratégica de produtos que demandem menos capital normativo", concluiu Oliva.

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