Entidades projetam crescimento do crédito para 2012
A pesquisa Febraban de projeções macroeconômicas e expectativas do mercado consultou 30 analistas, no final do ano passado. E para eles, haverá um crescimento mais moderado do crédito, este ano, em relação a 2011.
| PROJEÇÕES E EXPECTATIVAS DE MERCADO - Setor Bancário |
| Variáveis do Setor Bancário | Pesquisa atual |
| (Variação Anual) | dez/11 | dez/11 |
| 2011 | 2012 |
| Operações de Crédito da Carteira Total (var. %, total do SFN) | 17,7 | 16,1 |
| Operações de Crédito com Recursos Direcionados (var. %, total do SFN) | 19,9 | 17,2 |
| Operações de Crédito com Recursos Livres (var. %, total do SFN) | 15,8 | 15,1 |
| Operações de Crédito para Pessoas Físicas (var. %, total do SFN com recursos livres) | 15,8 | 15 |
| Operações de Crédito para Pessoas Físicas - Crédito Pessoal (var. % , incluindo consignado) | 18,4 | 16,2 |
| Operações de Crédito para Pessoas Físicas - Aquisição de Veículos (var. %, incluindo leasing) | 15,4 | 14,6 |
| Operações de Crédito para Pessoas Jurídicas (var. %, total do SFN com recursos livres) | 15,8 | 15,2 |
| Taxa de Inadimplência (acima de 90 dias, em %) | 5,4 | 5,1 |
| fonte: Febraban |
"Para 88% dos participantes da pesquisa, o mercado de crédito deve ter uma moderação, mas as medidas adotadas pelo governo, como o requerimento de capital para operações em até 60 meses e a redução dos impostos tanto de bens de consumo como dos impostos de crédito como o IOF (Imposto de Operações de Crédito), ajudam a evitar uma desaceleração mais forte na concessão de empréstimos", afirmou o economista sênior da Febraban, Jayme Alves, que acrescentou: "a economia brasileira esta se desacelerando num ritmo um pouco maior do que esperávamos".
Para a Associação Brasileira dos Bancos, ABBC, as carteiras de crédito, em 2012, deverão crescer em taxas ainda excepcionais, em torno de 15%, superando a marca de R$ 2,3 trilhões, equivalendo a algo entre 51% e 52% do PIB brasileiro. "Com os 'olhos' de 2011, via-se que o crédito em 2012 deveria perder alguma importância na estratégia do desenvolvimento econômico do País. Porém, com algumas decisões do Governo Federal e, particularmente, do Banco Central, percebe-se que esse risco está praticamente afastado", analisou o presidente da ABBC, Renato Oliva.
Para ele, há pouco espaço para interferências da crise européia no mercado de crédito brasileiro. "Temos uma economia que tem o vetor muito importante na performance do nosso mercado interno. Há muito espaço para crescimento, sobretudo, impulsionado pelo setor imobiliário (pessoa física) e pelos investimentos em infraestrutura (pessoas jurídicas)".
O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, ANEFAC, acredita que a crise internacional possa afetar o país pelo ramal de mercadorias - o mundo crescendo menos demandará menos produtos/exportações do Brasil - ou pelo ramal de crédito - maior dificuldade das empresas e bancos nacionais captarem recursos no exterior. "De qualquer forma a nossa expectativa é de que tenhamos um ano mais difícil porém com crescimento de cerca de 15% no volume de crédito, comparado ao ano passado. Na pior das hipóteses cresceremos 10% e na melhor das hipóteses 20%".
A Fecomercio prevê uma expansão de 11% nas concessões de crédito com recursos livres às pessoas físicas, este ano. E o cartão de crédito, será mais uma vez, o grande aliado da população. Segundo a PEIC - Pesquisa de Endividamento e Inadimplência da Fecomercio SP -, em janeiro de 2012 o percentual de endividados através de cartão de crédito foi de 75%; em janeiro do ano anterior esse percentual era de 64,86%.
Dados da ABECS - Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços - revelam que em 2011 a quantidade de transações com cartões de crédito cresceu 6% em relação ao ano anterior. "Tendo em vista a facilidade de aquisição de cartões de créditos, a compra parcelada tenderá a crescer em 2012. Atualmente, para a aquisição de cartão de crédito não é mais necessário ter conta corrente em banco, pois as grandes redes varejistas oferecem cartões para seus clientes com diversas vantagens, sendo que o cliente poderá também utilizar parte do limite em outros lugares", revelou a assessora econômica da Fecomercio, Fernanda Della Rosa.
Segundo ela, a Fecomercio está otimista. "Para 2012, considerando que a economia continuará crescendo, o mercado de trabalho também deverá se manter aquecido, proporcionando crescimento da massa salarial. Esse cenário deverá resultar em impactos favoráveis no índice de confiança do consumidor, o que incentiva o consumo e aquece as vendas", concluiu.